Sentir-se desvalorizada no trabalho pode ser um motivo mais importante para as mulheres deixarem empregos acadêmicos do que os fatores comumente mencionados, como o equilíbrio entre vida profissional e pessoal e as responsabilidades de cuidar de outras pessoas, segundo um estudo publicado no mês passado. Os homens também relataram sentir-se desvalorizados, mas, segundo os pesquisadores, essa experiência era mais comum entre as mulheres.
O estudo analisou respostas de 6.615 docentes efetivos e em período probatório, atuais e antigos, de mais de 390 instituições que concedem doutorados. A autora principal, Katie Spoon, pesquisadora de pós-doutorado na Universidade Stanford, perguntou aos docentes atuais que mudanças reduziriam o estresse em seus cargos e aos antigos o que teria precisado mudar para que permanecessem.
As respostas das mulheres muitas vezes se concentraram no ambiente de trabalho e no respeito, disse a coautora Lauren Rivera, professora da Kellogg School of Management da Universidade Northwestern. As mulheres descreveram sentir-se desvalorizadas por causa de seu gênero, raça ou condição parental, além de manifestarem preocupações sobre conciliar o trabalho com as responsabilidades pessoais.
As respostas mencionaram formas formais e informais de desvalorização. Entre elas estavam padrões de publicação mais exigentes ou salários menores em comparação com os de colegas homens, assim como exclusão de reuniões importantes, assédio e discriminação. As mulheres negras e de outras minorias raciais eram especialmente propensas a descrever que faziam trabalho administrativo e de apoio extra sem receber reconhecimento formal, além de enfrentar exclusão e microagressões.
Os pesquisadores também descobriram que a diferença entre as experiências de homens e mulheres aumentava com a idade. Os homens tendiam a se sentir mais valorizados à medida que avançavam na carreira, enquanto as mulheres relatavam sentir-se menos valorizadas ou não perceber nenhuma mudança. Segundo os pesquisadores, a senioridade não protegia as mulheres contra o desrespeito da mesma forma que parecia proteger os homens.
Spoon, Rivera e seus colegas codificaram manualmente todas as respostas. Spoon disse que uma análise assistida por IA não conseguiu identificar alguns temas recorrentes, incluindo relatos de participantes sobre traição institucional após denunciarem a conduta imprópria de colegas.
Fontes: Inside Higher Ed.